Irreverência, humor, criatividade, non-sense, ousadia, experimentalismo. Mas tudo pode aparecer aqui. E as coisas sérias também. O futuro dirá se valeu a pena...ou melhor seria ter estado quietinho, preso por uma camisa de forças!
Sábado, 12 de Março de 2005
O piano
A propósito da prosa que debitei abaixo, gostaria de vos fazer uma confidência.
Desde os seis anos de idade, e por sugestão de meu progenitor, cujo pai e avô haviam sido músicos, comecei a aprender a tocar um instrumento.
A escolha foi minha: o piano!
É um instrumento fascinante, com uma sonoridade que me encanta e com uma característica especial: nele se pode tocar simultaneamente o solo e o acompanhamento.
Cheguei a tocar umas modinhas em público, pois então, num teatro de província, com direito a palmas, ramo de flores e beijos de uma menina...que por acaso era minha prima.
E as lições continuaram durante vários anos.
Mas nunca passei da cepa torta.
Até que desisti.
Acho que foi a primeira vez que senti que me faltava a vocação.
Há pouco tempo tentei dedilhar umas musiquetas. Que horror! Já perdera quasi toda a (pouca) agilidade dos dedos.

Como pai extremoso que sou, apliquei a mesma dose ao coitado do meu filho.
Resultado: não havia vocação. As aulas duraram muito menos tempo que comigo. Eu tinha aprendido a lição.
Desta vez não foi piano. Foi um orgão-sintetizador que ainda está cá em casa.

O velho piano, sem espaço num flat da Maia, foi morar para casa de familiares no Alto Minho.
E acho que lá ficará até morrer, o coitado.


publicado por António às 18:57
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4 comentários:
De Anónimo a 6 de Abril de 2007 às 10:12
uma historia de vocaçao em muito parecida com a minha.

começei pela guitarra por influencia do resto dos hippies que ainda pululavam o meu liceu. mas os dedos eram curtos para determinados acordes e a voz um apito de comboio ao longe.

inscrevi-me na banda do cinema. aprendi solfejo e depois passei ao piano. a mao esquerda, independente da direita so queria copiar a outra. tambem experimentei o orgao mas aqui o toque nas teclas era feito aos saltinhos.

decidamente. e......... se eu nao tinha a vocaçao, se calhar os meus filhos....
pois! ainda tinham menos que eu.

concluindo, o que foi importante foi termos experimentado e ter visto as dificuldades das coisas. penso que o conhecimento das dificuldades aguça o interesse pela habilidade de outra pessoa e nod da a posiçao ideal para o podermos avaliar no seu desempenho.
abraço da leonoreta


De António a 6 de Abril de 2007 às 12:56
Pois é Leonor!
Tens razão quando dizes que quem tentou e não conseguiu está muito melhor colocado para apreciar os que conseguem.

Beijinhos meus


De leonoreta a 6 de Abril de 2007 às 14:30
andas ha dois posts a concordar comigo?

hummmmmmmmmmmmmmm


De António a 6 de Abril de 2007 às 14:36
Eu sou sincero!
Quando concordo digo que concordo.
Quando discordo digo que discordo.
Não deve ser assim?

Beijinhos


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