Irreverência, humor, criatividade, non-sense, ousadia, experimentalismo. Mas tudo pode aparecer aqui. E as coisas sérias também. O futuro dirá se valeu a pena...ou melhor seria ter estado quietinho, preso por uma camisa de forças!
Quarta-feira, 6 de Julho de 2005
O fármaco milagroso
Já lá vão uns anitos!
Em determinada fase da minha vida, e por razões que nunca cheguei a descortinar com rigor, andava tristonho, chateado, psicologicamente em baixo e com alguns sintomas somáticos que me alertaram.
E, como nestas coisas não sou peco, decidi ir a um psiquiatra.
Profissional já experimentado, não lhe foi difícil fazer o diagnóstico: eu estava com uma depressão.
Nada de grave, felizmente. Nestas e noutras doenças, quanto mais depressa formos a um médico e começarmos o tratamento maior é a probabilidade de cura ou cura rápida.
Receitou-me uns fármacos, disse como os deveria tomar e fez-me um aviso particular em relação a um deles:
- Este medicamento tem um efeito secundário para o qual eu o devo alertar. Inibe a ejaculação. Portanto, aconselho-o a avisar a sua esposa. Não vá ela pensar que anda a depositar o seu sémen noutros recipientes – e fez um sorriso bem largo.
- E posso continuar a trabalhar? – perguntei.
- Com certeza. Deve é abster-se de beber álcool.
Finalmente, mandou-me marcar nova consulta para daí a um ou dois meses.
Chegado a casa, relatei o ocorrido à minha mulher dando especial relevo ao tal efeito colateral do medicamento.
Sem entrar em pormenores, pois este não é um blog erótico (quando tiver um, eu aviso), o facto é que quando tinha relações sexuais eu bem me esmerava no sentido de tentar provar a mim mesmo que afinal era mais potente que o medicamento. Essas coisas também ajudam a curar depressões, mas...nada!
A coisa demorava um tempo infinito, eu transpirava de tanta ginástica fazer, às vezes parecia que ía acontecer, mas...sempre nada!
Até que, exausto e ofegante, às vezes o falo ainda acordado (relembro que foi há uns anitos), meio lixado também, preparava-me para uma soneca retemperadora.
A minha mulher é que não desgostava do medicamento, como devem calcular!
Acho que uma vez (ah, valentão!) consegui uma ejaculação mínima, mas serviu para me aumentar a auto estima.
Entretanto a medicação revelava-se eficaz e, quando fui novamente ao clínico, ele fez uma redução das dosagens.
E perguntou-me:
- Notou o efeito secundário de que lhe tinha falado?
- E de que maneira, senhor doutor! – respondi
- Sabe que esse medicamento pode também ser usado, em doses menores evidentemente, para combater um problema que é bem mais comum do que aquilo que se pensa: a ejaculação precoce – informou o doutor.
- Acredito! Acredito! – disse, soltando uma gargalhada
- Olhe! Vou-lhe contar um caso que se passou com um cliente meu, aliás uma figura pública mas cujo nome, como compreenderá, não lhe direi.
E continuou a psiquiatra:
- Uma vez apareceu aqui o tal sujeito com um problema depressivo. Um dos medicamentos que lhe receitei foi exactamente este. Quando veio cá a uma consulta de controlo, eu disse-lhe que iria deixar de tomar este remédio.
“Não, senhor doutor! A minha mulher não deixa!” respondeu-me ele. Parece que ela nunca tinha atingido nenhum orgasmo e graças a este medicamento milagroso agora conseguiu portanto não quer voltar à situação anterior.
E concluiu:
- De facto ele sofria de ejaculação precoce e como este medicamento pode ser usado para colmatar essa característica pouco interessante, eu continuei a receitar-lhe o produto, mas só na dosagem indicada para contrariar esse problema que o senhor tinha.
Depois de mais alguma conversa, despedimo-nos e sai.
E pouco tempo depois estava completamente curado.

Os eventuais interessados escusam de me perguntar o nome do medicamento milagroso pois já me esqueci completamente.


publicado por António às 14:52
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