Irreverência, humor, criatividade, non-sense, ousadia, experimentalismo. Mas tudo pode aparecer aqui. E as coisas sérias também. O futuro dirá se valeu a pena...ou melhor seria ter estado quietinho, preso por uma camisa de forças!
Domingo, 5 de Junho de 2005
Línguas traiçoeiras
Quando escrevo “línguas” no título desta lenga-lenga que agora começo a teclar, não me estou a referir ao órgão carnudo que temos (e os outros animais vertebrados) na cavidade bocal e que serve para ajudar à deglutição de alimentos, para lamber selos, para fazer chacota das pessoas quando a pomos cá para fora, para comer (adoro língua de vaca), para fazer bolinhas com chiclets, para mostrar ao médico numa consulta antes dele nos fizer que estamos com maus fígados e outras utilizações mais ou menos nobres como alguns jogos amorosos sobre os quais eu não me vou pronunciar pois, quem isto ler já está, tenho a certeza, muito bem documentado na matéria, mesmo sem ter tido aulas de Educação Sexual.
Refiro-me, isso sim, a “línguas” no sentido de “idiomas”.
Feito este fundamental esclarecimento prévio que certamente muito contribuirá para a elevação do nível cultural dos prezados leitores, vou contar uma historinha:
Um velho amigo, o Vitor, é filho de um industrial têxtil.
E é também um dos tipos mais inteligentes e cultos que conheci e conheço.
Lê imenso, nomeadamente revistas estrangeiras, sendo um grande conhecedor de assuntos ligados à guerra, nomeadamente armamento, em sentido restrito, mas também navios de guerra, aviões de combate e transporte logístico, tanques, mísseis, sistemas de comunicação e outras coisas ligadas à Defesa.
Os conhecimentos que tem nessa área são quasi enciclopédicos.
Penso que começou a interessar-se pelo assunto quando foi estudar engenharia Electrotécnica, na área das chamadas correntes fracas, tendo acabado o curso com grande gosto pela electrónica e por um dos sectores em que este ramo do saber é mais testado e usado enquanto tecnologia de ponta: exactamente o armamento militar, em sentido lato (as armas, mas também os navios, aviões, etc.). Sobretudo o equipamento e sistemas militares norte-americanos. Os ex-soviéticos seriam melhores, talvez, na parte de materiais, ligas metálicas, mas na electrónica, os ianques levavam-lhes a palma.
Não nos esqueçamos que uma das causas imediatas da queda do império bolchevique foi a chamada Guerra das Estrelas que Ronald Reagan decidiu lançar, provocando um esforço de resposta por parte dos comunistas que muito debilitou as suas finanças.
Mas voltemos ao Vítor.
Mal acabou o curso, foi gerir uma empresa que o pai acabara de criar. Do sector têxtil, claro!
Isto aconteceu poucos meses antes do 25 de Abril, o que obrigou o então jovem a um grande esforço de preparação técnica e lhe deu vasta experiência na parte humana ao ter de enfrentar, com vinte e poucos anos, toda a turbulência laboral pós-revolução.
Mas não é sobre isso que vos vinha falar.
É sobre uma situação pela qual o Vítor passou logo no início da sua actividade empresarial.
Ao falar com fornecedores e técnicos estrangeiros que o visitavam usando a universal língua inglesa, tinha dificuldade em fazer-se entender e em compreender, nomeadamente quando discutiam questões relativas a fio têxtil.
Como tivera uma formação no campo electrotécnico, usava a palavra “wire” que significa, de facto, fio eléctrico.
E ainda demorou algumas semanas e aprender que fio têxtil se diz “yarn”.
Depois digam que a língua portuguesa é muito traiçoeira!


publicado por António às 22:46
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4 comentários:
De leonoreta a 19 de Agosto de 2007 às 13:18
cada lingua é uma lingua repleta de sentidos que caracterizam a mentalidade de quem fala. cada lingua é mais ou menos rica consoante o ambiente envolvente do povo que a fala. os esquimos por exemplo tem 18 vocabulos para designar a palavra neve porque esta tem diversos estados ao longo do ano enquanto que os americanos tem apenas dois.
gostei especialmente do primeiro paragrafo cheio de ironia cientifica em redor do referido orgao.
beijinhos


De António a 19 de Agosto de 2007 às 18:53
Tu não tiveste aulas de Educação Sexual mas leste sobre o assunto, presumo...ah ah ah

Beijos


De leonoreta a 19 de Agosto de 2007 às 18:56
ai que eu nao acredito


De António a 19 de Agosto de 2007 às 19:04
Não?
És uma mulher de pouca fé?
ihihihih


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